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Precificação no escritório de advocacia: por que você está cobrando errado

03 de março de 20256 min de leitura
Precificação no escritório de advocacia: por que você está cobrando errado

A maioria dos escritórios precifica por hora sem considerar valor entregue, posicionamento ou margem real. Veja como corrigir isso de forma estratégica.

O problema da precificação por hora

A maioria dos escritórios de advocacia precifica seus serviços da mesma forma: calcula o tempo estimado, multiplica por uma taxa horária, e apresenta o valor ao cliente. Esse modelo tem uma lógica aparente — mas esconde problemas sérios.

O primeiro problema é que ele penaliza a eficiência. Um advogado experiente que resolve um problema em duas horas recebe menos do que um júnior que leva oito. O cliente paga pelo tempo, não pelo resultado.

O segundo problema é que ele não captura o valor entregue. Uma consultoria que evita um passivo de R$ 2 milhões vale muito mais do que as horas gastas para produzi-la — mas o cliente paga apenas pelas horas.

O terceiro problema é que ele cria uma relação transacional com o cliente. Em vez de parceria, há uma negociação constante sobre tempo e custo.

Por que você está cobrando errado

Existem três erros comuns de precificação que encontro nos escritórios que atendo:

Erro 1: Precificar abaixo do custo real

Muitos escritórios não sabem qual é o seu custo por hora disponível — o custo total do escritório dividido pelo total de horas que a equipe tem disponível para trabalhar. Sem esse número, é impossível saber se a precificação cobre os custos.

O resultado é um escritório que fatura bem mas tem margem baixa — ou negativa.

Erro 2: Precificar por percepção de mercado

"Cobro o que os outros cobram." Esse critério ignora dois fatores fundamentais: o posicionamento do escritório e o valor entregue ao cliente. Um escritório especializado em uma área de alto valor pode — e deve — cobrar mais do que a média do mercado.

Erro 3: Não revisar a precificação regularmente

Custos sobem. Inflação existe. A equipe cresce e fica mais cara. Mas muitos escritórios mantêm a mesma tabela de honorários por anos, sem revisão. O resultado é uma erosão silenciosa da margem.

Modelos alternativos de precificação

Honorários por projeto

Em vez de cobrar por hora, o escritório define um valor fixo para um escopo de trabalho específico. O cliente sabe exatamente quanto vai pagar. O escritório tem incentivo para ser eficiente.

Esse modelo funciona bem para serviços com escopo previsível: contratos, due diligence, processos de rotina.

Honorários por valor

O valor cobrado é proporcional ao resultado entregue ou ao risco mitigado. Uma negociação que economiza R$ 500 mil para o cliente pode justificar honorários muito acima do tempo gasto.

Esse modelo exige uma conversa diferente com o cliente — sobre valor, não sobre tempo. E exige que o escritório tenha clareza sobre o impacto do seu trabalho.

Retainer mensal

O cliente paga um valor fixo mensal por acesso a um conjunto de serviços. Cria previsibilidade de receita para o escritório e de custo para o cliente.

Funciona bem para clientes com demanda recorrente e relacionamento de longo prazo.

Como revisar sua precificação agora

O primeiro passo é calcular seu custo por hora disponível. Pegue o custo total do escritório no último mês e divida pelo total de horas disponíveis da equipe. Esse é o seu piso.

O segundo passo é mapear quais serviços têm margem positiva e quais têm margem negativa. Você vai se surpreender com o resultado.

O terceiro passo é definir um posicionamento claro: o escritório quer competir por preço ou por valor? Essa escolha determina toda a estratégia de precificação.

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